quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Biblioteca para moradores de rua


Agora com a denominação oficial de Centro Pop, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social para População de Rua inaugurou nesta quarta (17) a biblioteca Das Ruas a Caminho do Saber, em presença de usuários, da equipe de funcionários e da Secretária de Cidadania e Assistência Social, Elizabeth Marques Dias. O espaço conta com livros, revistas, gibis, um televisor e um aparelho de DVD, doações provenientes da comunidade.

A informação provém do Diário Popular (leia notícia redigida por Osíris Reis), que neste caso se adiantou na internet em duas horas ao portal da Prefeitura (leia nota oficial, escrita por Tatiana de la Torre). Aqui no blogue, apresento em conjunto os dados e as fotografias das duas origens.

Com usuários do Pop, Marta, Vanderleia, Sílvia e Elizabeth
O projeto da biblioteca foi desenvolvido no Centro Pop pela estagiária de Serviço Social, Vanderleia Dias Murias, com a orientação da assistente social Marta Moura. O centro é dirigido por Sílvia Chaigar e inclui na equipe técnica a psicóloga Vanderlita Leal.

O objetivo da biblioteca é incentivar o apreço dos moradores de rua pela leitura. A possibilidade de ler e de educar o pensamento e a imaginação é oferecida a estes cidadãos como parte do trabalho de incentivá-los a construir novos projetos de vida.

A casa municipal oferece desde abril de 2011, de 11h a 17h, encaminhamentos para a rede pública de serviços, lan house própria, guarda de pertences e higiene pessoal, e desde 2012 atividades do Programa de Educação para Jovens e Adultos (PEJA).

O atendimento diário chega a 30 pessoas, e mensalmente o número de usuários que frequentam o centro é em torno de uma centena, quase totalmente de sexo masculino.

Um dos usuários do Centro, Ricardo Guimarães, 53 anos, declarou à repórter:
Sou pescador e gosto de ler sobre o assunto, já li vários livros do escritor Amir Klink, que viaja pelo mundo sozinho em seu barco. Estou utilizando o Centro para refazer meus documentos e poder retomar a vida. 
Fotos: J. Rivero (1, 3) e P. Rossi (2)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Um encontro de otimismo com o cantor Rodrigo Madrid

Hoje, quinta 8 de dezembro, o cantor de música regional Rodrigo Madrid interpretou diversas músicas no CREAS Pop, deixando-nos com uma energia positiva e mais dispostos a seguir caminhando.

Com músicas como Vira Virou, Semeadura, Gostava tanto de você, Céu sol sul, Vento negro e Milonga pra mim, Rodrigo animou a conversa com histórias e piadas, elevando nossos espíritos, tanto dos oito trabalhadores presentes como de uma dúzia de beneficiários do serviço. Depois de um cafezinho com a equipe, ele ainda tomou fotos conosco no pátio, confirmando a amizade iniciada há quatro meses

Naquela primeira visita, em 30 de agosto deste ano, o amigo manifestou sua simpatia pelo projeto social do CREAS Pop e se dispôs a seguir colaborando. No mesmo dia, ele postou uma nota de apoio em seu site Rodrigo Madrid.net.

Fotos de F. A. Vidal

domingo, 30 de outubro de 2011

Preciso lembrar que eu existo

Um grupo de 14 usuários do CREAS Pop de Pelotas (na foto) assistiram, quinta 27 de outubro, a um clipe com a música "Sentado à beira do caminho". Cada um recebeu dois versos num papel e disse em voz alta sua opinião sobre essa letra de Erasmo e Roberto Carlos, associando-os com suas próprias vivências.

O desânimo de que fala a música foi visto como uma angústia antiga do personagem, mas que não por isso deveria levar à passividade. Segundo os comentários dos presentes, é melhor confiar na esperança, nunca desistir, não perder tempo, ir atrás do que se quer.

Houve acordo em que acabar logo com isto não significa matar ou morrer, mas sim recuperar a própria existência, talvez perdida, talvez nunca conhecida (lembrar que eu existo).

O heterogêneo grupo participante - que é parte dos 50 usuários que vêm ao centro com mais frequência - são em maioria homens (90%), metade afrodescendentes e de diversos níveis educacionais (desde o analfabetismo até o ensino médio incompleto). Veja abaixo a letra, o clipe e os comentários.

Eu não posso mais ficar aqui a esperar
que um dia, de repente, você volte para mim
[É preciso correr atrás, não perder tempo, tomar uma atitude]

Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim,
estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim
[Morar na rua, cuidando carros, se vê um caminho sem esperança, uma busca sem fim, não se vê o fim nem o rumo]

Meu olhar se perde na poeira dessa estrada triste,
onde a tristeza e a saudade de você ainda existe
[Ele perde alguém e sente saudade. Lembrança da poeira no Estradão]

Esse sol que queima no meu rosto um resto de esperança
de ao menos ver de perto o seu olhar, que eu trago na lembrança
[Tem que ter sempre esperança, nunca desistir. Sempre tem uma luz no fim do túnel, a cada nascer do sol tem uma esperança]

Preciso acabar logo com isto,
preciso lembrar que eu existo

[Até quando verei meu povo se perdendo, não se valorizando?
Quando olho pra mim também penso se vale a pena]

Vem a chuva, molha o meu rosto e então eu choro tanto,
minhas lágrimas e os pingos dessa chuva se confundem com meu pranto.
[Saudade, tristeza. A chuva é como as lágrimas de Deus]

Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada,
sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada.
[Procurando um ideal, mas só acha depressão.
Tenta se achar e não consegue, anda perdido]

Preciso acabar logo com isto,
preciso lembrar que eu existo.

[Precisa acabar com o sofrimento. Uma forma é buscando a Deus]

Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo se confunde em minha mente,
minha sombra me acompanha e vê que eu estou morrendo lentamente.
[A sombra é o reflexo do personagem. Depende dele morrer ou não]

Só você não vê que eu não posso mais ficar aqui sozinho,
esperando a vida inteira por você, sentado à beira do caminho.
[Magoado, angustiado, desistiu ou está pensando em desistir]

Preciso acabar logo com isto,
preciso lembrar que eu existo.

[Procurar novos caminhos]


Manhã de sábado

O escritor Manoel Soares Magalhães publicou no dia 25 de junho deste ano a seguinte crônica em seu portal de notícias CultiveLer.com (veja o post).

Havia pressa no andar. O cão, desses sem grife, disparava pela calçada levando à boca um pedaço de pão. Às vezes parava, coçava-se desesperadamente, olhando em derredor, para logo prosseguir a corrida.

Atravessou a rua, quase sendo atropelado por um carro. Assustado, apressou a corrida, entrando na Praça Coronel Pedro Osório, indo em direção à Fonte das Nereidas. Ultrapassou o redondo da praça, pegando a alameda que conduz à esquina que dá para o Teatro Guarany. Num salto atravessou a rua, pegando a calçada do teatro.

Logo estava à frente do velho Guarany, onde havia alguém deitado sob um velho e surrado edredom. Sentou-se, largando o pedaço de pão. Espantou mais algumas pulgas, olhando à volta. Encostou o focinho no corpo do morador de rua, fechando os olhos. O pedaço de pão ficou ao seu alcance.

A manhã fria, sem sol, deixava o ambiente ainda mais triste e desolado. Sempre que alguém se aproximava o vira-lata abria levemente os olhos, atento a tudo. Cumpria com zelo sua função de vigilante.

A pessoa sob o edredom mexeu-se. O cão grunhiu levemente, erguendo-se, olhos atentos aos movimentos do dono, cutucando-o com o focinho duas ou três vezes. Como o dono se manteve quieto, o cão tornou a deitar-se, não antes de espantar mais algumas pulgas.

Um gato miou no outro lado da rua, enfiando-se no porão de um casarão. O vira-lata ergueu a cabeça, ladrando baixo, mais por hábito do que por não gostar de felinos. O porteiro do teatro apareceu à porta, erguendo a gola da japona. Olhou o mendigo, balançando a cabeça. Tornou a entrar, fechando a porta atrás de si.

O morador de rua tornou a se mexer, afastando o edredom que lhe cobria a cabeça. Era um negro de cabeça raspada, velho. O cão grunhiu outra vez, aproximando-se das pernas do dono, o qual se encolheu, abraçando-o. Outro cão aproximou-se. Era grande, peludo e aparentemente velho. Seu pelo estava embarrado. Uma coleira de couro pendia em direção ao chão.

Parou numa distância de dois metros do morador de rua. O vira-lata ergueu a cabeça, mostrando os dentes ao recém-chegado. Dentes grandes e amarelos. Os olhos faiscaram.

— Calado, Pimenta — gemeu o dono.

Pimenta, porém, não estava satisfeito com a chegada de um rival. Pôs-se de pé, arreganhando os dentes, através dos quais a baba da raiva escorreu. Incontinente, abocanhou o pedaço de pão, olhando firmemente o intruso, que, pacientemente, sentou-se na calçada, limitando-se a olhar o pequeno e feroz vira-lata.

— Me deixa dormir, Pimenta! — tornou o dono, mexendo-se sob o edredom.

O cão, todavia, se mantinha rosnando, olhando de soslaio o cachorro invasor, que, displicente, resolveu erguer-se. Espantou suas pulgas e, indiferente, foi-se calçada afora, sem olhar para trás. Pimenta, por sua vez, não largou o pedaço de pão. Deitou-se outra vez, mas o fez com a sua e a comida do dono firmemente presa à sua boca.

Fechou os olhos. Ambos permaneceram quietos, indiferentes à vida que acontecia à volta. O outro cachorro seguiu até a esquina, parando. Olhou na direção do vira-lata. Lambeu-se, coçou-se, e dobrou a esquina. Longe o ruído de uma sirene quebrou o silêncio da manhã de sábado.
Fotos: F. A. Vidal (1) e M. Magalhães (2)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Alguém que esteja sempre com você

Não estou disposto a esquecer seu rosto de vez
e acho que é tão normal.
Dizem que sou louco por eu ter um gosto assim
gostar de quem não gosta de mim.

Jogue suas mãos para o céu e agradeça se acaso tiver
alguém que você gostaria que estivesse sempre com você
na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê.

sábado, 15 de outubro de 2011

Sobre mendigos, revoluções e sapatos

Um sujeito, desses que bate na casa da gente pedindo se tem alguma coisinha pra dar, abordou-me no portão de entrada. Não cheirava a trago, nem parecia dopado. Sóbrio e direto em sua súplica. Qualquer roupa, casaco ou sapato servia. Estava todo esfarrapado e com frio. Mostrou a metade do pé pra fora dos guides.

Tive dó. Não foi culpa social ou religiosa. Lembrei do velho sapato que aposentei no inverno passado, guerrilheiro refugiado na sapateira. Couro marrom. Todo desbotado, desgastado e outros qualificativos batidos pelo uso. Ao menos estava em melhores condições que o desbeiçado pisante do rapaz. Deus que me perdoe, comparar meus pertences aos do mendigo. Mendigo, pedinte, reservista do exército de mão de obra... Sei lá como chamar em bom politiquês quem pede de porta em porta. Prometi dar uma olhada. Dois lances de escada e julguei que era o passo certo a dar. Por que ficaria com um calçado sem uso, havendo um necessitado lá fora? Coloquei numa sacola de súper. De brinde, um blusão cheio de bolinhas que aguardava a limpeza com prestobarba.

Pegou a doação, espiou, agradeceu e seguiu buzinando o porteiro dos meus vizinhos. Como assim? Não ia calçar ali mesmo? É impermeável sabe, moço? Tá chovendo, né? Não disse nada. Aquilo me corroía. Pior que não sei fazer caridade desde meu socialismo utópico universitário, morando com a mãe. Afinal, é papel do governo acabar com as desigualdades ou que enfrente a luta armada.

Estava ressabiado com tamanha ingratidão. Esperava nada menos que uma reação eufórica do sujeito. Resolvi manter a calma e o controle. Aquilo não me pertencia mais. Tentei olhar a cena com lirismo poético. Significaria uma sobrevida. Seguiria passeando pelas ruas de Satolep nos pés de um andarilho solitário.

Foi então que saquei. Era seu uniforme. Só podia ser. Ele usava aquela roupa rasgada pra sensibilizar a classe dominante. E se tiver uma comida, emendou, também aceitava.

Ah, não, tchê pode parar. Que negócio é esse? Já dei o meu melhor sapato e um blusão praticamente novo. O.k., não foi bem assim que eu disse, mas resmunguei algo. Uma ideia veio à cabeça enquanto eu subia a escada de volta. Esse louco vai botar o meu sapato fora. Vai ver não gostou. E se pedisse de volta? Dissesse que o tinha prometido a um parente? Não. Nunca menti direito. Escorregaria em algum detalhe. Precisava conformar-me com o destino incerto do calçado. É o fetiche da mercadoria. Fecha os olhos da gente. Impressionante o quanto me agarrei àquele par andante. Supermacio. Por que não calçava logo? Fazia o quê? Uma acumulação primitiva de calçados?

Voltei com um pacote de polenta e a cara mais amarrada do mundo. Ele não estava mais lá. Caminhava em direção à Donja, carregando um saco de ráfia cheio da caridade alheia. Forcei a vista o que pude e ao longe enxerguei um dedão, ainda de fora.

Um camarada do tempo da faculdade dizia que não se deve dar esmola ou fazer assistencialismo pois atrasava a revolução! Foi o mesmo que mais tarde falou que a única revolução que desejava fazer era em sua conta bancária. Os pobres sempre estarão conosco. Será?
Márcio Ezequiel

domingo, 14 de agosto de 2011

Cada país tem seus mineiros soterrados

Em 6 de agosto, o Diário Popular publicou um editorial sobre a situação atual dos mineiros chilenos liberados há um ano (Todo país tem sua mina chilena). Cada frase pode ser lida metaforicamente como uma denúncia do desastre social vivido em nosso país, do qual todos participamos. Veja abaixo uma versão condensada.

A vida continua tão difícil para os 33 mineiros resgatados há um ano quanto o período em que ficaram presos na mina chilena de San José, no deserto de Atacama, em 5 de agosto de 2010, após um desmoronamento. [...]

A situação atual da equipe é a seguinte:

  • 7 estão sob licença médica devido a transtornos do sono e depressão, 5 tentam se livrar do alcoolismo e 14 pediram aposentadoria antecipada, pois sentem-se incapazes de voltar a trabalhar.

  • Entre os 19 que pretendem continuar trabalhando, 4 voltaram às minas, 10 estão em atividades temporárias (taxista, pedreiro e vendedores de frutas e verduras em feiras) e 5 ministram palestras sobre segurança no trabalho e motivação.

  • A luta longe da mina agora é outra: 31 deles decidiram processar o governo chileno por negligência e cobram na Justiça indenização de 540 mil dólares (cerca de R$ 890 mil) para cada um.

Os mineiros de San José [...] um ano depois, voltaram a ser as pessoas comuns que sempre foram e a enfrentar os mesmos problemas anteriores ao acidente: baixos salários e dificuldade para encontrar emprego. [...]

"Espero que isso nunca mais volte a acontecer" foi a frase dita pelo líder e o último a ser resgatado, Luis Urzúa. Palavras que poderiam muito bem ser aplicadas aos que vivem “soterrados” pelos efeitos das desigualdades sociais, seja no Chile, no Brasil, na Espanha ou nos Estados Unidos.

Cada país tem sua mina cheia de trabalhadores. Algumas nações esforçam-se para resgatá-los, outros adotam medidas paliativas e muitos optam por deixá-los sempre no fundo do poço.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

CREAS Pop reabriu em 4 de julho

Sexta-feira passada (1 de julho), a Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal anunciou a reabertura do CREAS Pop de Pelotas para esta segunda, após duas semanas em reformas internas (leia a notícia). Na sexta 17 de junho havia sido feito o primeiro anúncio (leia a nota).

Hoje (4) a notícia do mesmo site (leia) confirmou o funcionamento normal do serviço (texto abaixo), num dos dias mais frios de 2011.

Após um breve período fechado, para execução de obras, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social para População de Rua (CREAS Pop) reabriu as portas nesta segunda-feira (4). Vinte e quatro pessoas procuraram o local na reabertura, informa a coordenadora da Casa, Silvia Chaigar.

Conforme Silvia, pequenas reformas, que não afetam o atendimento aos usuários, ainda estão sendo realizadas. “Optamos por reabrir a Casa, mesmo ainda executando pequenas melhorias, devido ao frio, pois com estas baixas temperaturas a procura tende a ser maior”, destacou Silvia.

Dentre as melhorias, foram instaladas duas caixas d’água para facilitar os banhos dos usuários e a lavagem de roupa, está sendo implantada uma sala de inclusão digital, com cinco computadores, onde serão oferecidas aulas de noções básicas de informática e orientação de como fazer currículos – uma das maiores demandas, de acordo com Silvia.

Assim como anteriormente, diversas atividades estão programadas para esta semana. Nesta tarde de reabertura uma reunião entre técnicos e usuários foi realizada, a fim de discutir demandas e normas da Casa, entre outros temas. Amanhã (5), a partir das 14h, será disponibilizado aos usuários serviço de corte de cabelo; na quarta-feira (6), aula de percussão, ministrada de forma voluntária pelo percussionista Renato Popó. Na quinta, uma festa junina e a apresentação do Palhaço de rua Bolaxa animarão a tarde. E para encerrar a semana será realizada uma palestra sobre Educação para Adultos.

O CREAS Pop, que é coordenado pela Secretaria de Cidadania e Assistência Social (SMCAS), é um local destinado a acolher, durante o dia, pessoas que vivem em situação de rua, e conta com uma assistente social, um psicólogo e dois educadores. Entre 25 e 30 pessoas utilizam o espaço diariamente.

O Centro funciona de segunda a sexta-feira, das 11h às 17h, na rua Doutor Cassiano, 152, quase esquina Gonçalves Chaves. Lá, a população em situação de rua encontra um espaço para higiene pessoal, alimentação, oficinas, palestras, entretenimento, recebem material de higiene e limpeza. O endereço é também uma referência para os usuários, que o utilizam até para correspondência.

sábado, 2 de julho de 2011

Cidadão Oculto: documentário

Documentário de 14 minutos realizado em 2009 com sete catadores de materiais recicláveis e moradores de rua da cidade de Belo Horizonte (MG). A atividade foi realizada como uma oficina de cineclube do Centro de Referência para População de Rua, administrado pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.


domingo, 26 de junho de 2011

Arte de rua pode combater o vandalismo

O grafite de rua poderá ser um aliado contra as pichações ilegais em Porto Alegre (RS). A ideia, que surgiu em março passado na Câmara da capital gaúcha (veja notícia), consiste em mapear os prédios e equipamentos públicos que poderão ser usados por grafiteiros, para evitar o vandalismo.

Na ocasião, o presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente (COSMAM) da Câmara, vereador Thiago Duarte (PDT), salientou que pichação não é o mesmo que grafite, técnica em que se desenham painéis temáticos contemporâneos. Um banheiro público da Capital já foi adotado por grafiteiros e não sofreu mais vandalismo.
A pichação é mais agressiva e desestruturada, e é considerada - pelo menos em Porto Alegre - infração à Lei Ambiental, com penas de detenção entre 3 meses e 1 ano, prestação de serviço à comunidade ou reparação de dano.

Em Pelotas, há grafitagem dos dois tipos, e muitos grafiteiros já usam prédios abandonados ou sem uso para deixar suas mensagens, sem distinguir se a propriedade é privada ou pública, ou se a pintura foi solicitada ou não. Na garagem da esquina da Gonçalves Chaves com General Argolo (abaixo), os artistas ocuparam em 2010 todas as paredes externas, mas o dono as apagou meses depois.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Logos de CRAS ao longo do Brasil

Os centros de referência de assistência social têm ido aparecendo ao longo do Brasil, definidos por políticas públicas e administrados pelos municípios, em parceria com o governo federal. Sejam eles CRAS (de proteção social básica) ou CREAS (focados em certos programas de proteção social especial de média complexidade), buscam chegar aos usuários de diversas formas, como a busca ativa e a divulgação informal pessoa a pessoa.

A publicidade é uma opção pouco utilizada, talvez porque a clientela da assistência social não seja tradicionalmente muito focada por campanhas públicas, ou porque a própria publicidade tenha um viés comercial em nossa sociedade.

Em todo caso, o uso de logos especiais já começa a ampliar-se nos serviços públicos. Um desenho simples com uma casa e figuras humanas em cores serve de base para difundir a imagem dos CRAS ante a população-alvo.

Alguns exemplos encontrados na internet são os de Itápolis (SP), Utinga (BA) e Sertanópolis (PR), nas três imagens desta nota, nessa mesma ordem.

Em todas elas, uma casa simboliza proteção e segurança, um sol brilhando sugere que as oportunidades positivas podem surgir para todos, independentemente da história ou da situação presente, e as pessoas são representadas por duas grandes e uma pequena, simbolizando homem, mulher e criança. O céu, a terra e o ser humano.

O conceito de família nuclear é bem simples e preciso, mas é uma referência, ainda que ideal, um modelo a ser alcançado pela vivência e pela convivência. Sabemos que na realidade social costumam faltar os representantes concretos de pai e mãe, mas na mente humana persistem esses símbolos, que são a figura adulta de nosso próprio sexo ou gênero, e a figura adulta do sexo oposto.

Essas são as pessoas a serem atendidas pelo sistema: nosso lado adulto e nosso lado criança, o ser independente em permanente emancipação e desenvolvimento, e o ser carente, em processo de aquisição de instrumentos pessoais.

domingo, 1 de maio de 2011

Uma pessoa invisível pode ser muito chamativa

Na Avenida Independência, em Porto Alegre, muitos sem-teto passam a noite ou até mesmo algumas horas do dia dormindo. Este domingo (1), Dia Internacional do Trabalho, um deles achou um espaço de seu tamanho e se fez muito chamativo em sua invisibilidade. A tarde estava ventosa e algo fria, o que explica a necessidade de cobrir todo o corpo para manter a temperatura na breve sesta.

A cidade tem um centro municipal para atendimento de população de rua (estimada hoje em cerca de 1800 pessoas). Mas o serviço de abordagem ao parecer não trabalha nos domingos, e os que não querem ser abordados usam essas frestas do horário para dormir em relativa paz. Há muitos que não desejam atendimento social, que costuma colocar regras e diretrizes para sair da vida de rua.

Em um mês de trabalho no CREAS Pop de Pelotas (de 1 a 29 de abril), já vimos 3 pessoas em situação de rua (sem moradia nem emprego) que pediram internação psiquiátrica no Hospital Espírita, com o fim de receber tratamento (um com sintomas de esquizofrenia, um com alcoolismo e um com uso de crack). Pelo menos por um período, os carentes têm lá habitação, comida e roupa. Dois deles já conseguiram.