sábado, 16 de agosto de 2014

Fotógrafo mostra cães de rua e seus donos


O fotógrafo Eduardo Léporo, que habitualmente trabalha com animais de estimação, registrou a amizade entre moradores de rua e seus cães de estimação, especialmente na cidade de São Paulo, onde a população de rua é estimada em 15 mil pessoas. E mediante as imagens ainda conta histórias "humanas" ou humanizadas. O resultado já se transformou em ensaios e exposições que rodam pelo Brasil.

Por exemplo, a Família da Paulista dá sorvete a seu amigo cachorro para passar o calor (acima), enquanto na Praça da República o pequeno Hulk acompanha fielmente o cuidador de carros Saulo, seu amigo humano (abaixo). Veja mais histórias recolhidas por Edu no seu blog Esta foto é o bicho e na página Moradores de rua e seus cães.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Vida na rua embrutece as pessoas, diz documentário

 
Por ocasião das eleições municipais de 2012, estudantes de Direito da USP produziram o documentário "Eu Existo" (17 min), reportagem que denuncia as dificuldades de se viver nas ruas de São Paulo, para colocar esse problema social na agenda política dos candidatos.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Curso de abordagem de rua para educadores

A entidade Educadores Sociais oferece o primeiro módulo do curso O EDUCADOR SOCIAL E A EDUCAÇÃO DE RUA, destinado a profissionais e estudantes, sejam técnicos ou educadores sociais que trabalham com população de rua ou atuem em CREAS, Abordagem de Rua, Albergues, Casas de Acolhimento.

O objetivo principal do curso é capacitar os educadores para a prática da abordagem de rua numa perspectiva transformadora. A atividade tem duração de 16 horas, em dois dias completos (quinta 28 e sexta 29 de agosto), das 8h30 às 17h30.

PROGRAMA
- Identidade Individual e Coletiva;
- Fundamentos da educação social de rua e a Pedagogia do Diálogo;
- Análise de Conjuntura – desigualdades sociais;
- O contexto histórico da situação de rua e na rua – preconceitos;
- A Abordagem de rua – elementos essenciais.

METODOLOGIA
- Atividades práticas favorecendo a troca de experiências;
- Trabalhos em grupo com discussão de textos e cases;
- Exposição dialogada de conteúdos com espaço para reflexão crítica.

FACILITADORA
Mariam Deborah Santos Vezneyan: Mestre em Psicologia da Educação pela PUC São Paulo, experiência de seis anos na área de educação social. Planeja e executa cursos de formação para educadores que atuam em projetos sociais discutindo através de oficinas lúdicas temas ligados a educação freireana.

CUSTO: R$ 450 (ou parcelado em 2x de R$ 240), incluindo: material didático, 4 coffee break e certificado.

INSCRIÇÃO por email contato@educadoressociais.com.br ou fone (11) 3392 4457.

LOCAL: Rua Leite de Moraes, 42 (metrô Santana, linha 1), São Paulo/SP.

sábado, 12 de julho de 2014

Relação de companhia e cuidado é refúgio afetivo

Um morador de rua de São José do Rio Preto (SP) cedeu seu cobertor para seu cachorro de estimação. Na manhã da quarta-feira 28 de maio, quando a região sofria com o frio (registraram-se 7,2 graus às 7 da manhã), o homem, identificado como Luis Carlos, deu sua única coberta ao cãozinho Skafi, um vira-lata de 10 anos.

A cena foi flagrada pelo fotógrafo Hamilton Pavam, do Diário da Região (v. notícia), a modo de registro da baixa temperatura, pouco comum no interior de São Paulo. No entanto, o que aparece é uma realidade, comum a humanos e outros animais, em que o abandono e a solidão vividos em ambiente selvagem são mitigados pela vinculação social, provedora de calor, alimento e tranquilização.

Morador de rua

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O pobre é invisível afetivamente

A seguinte reportagem faz pensar na importância dos vínculos afetivos e sociais. Se um ser querido virasse mendigo, você o perceberia?

sábado, 1 de março de 2014

Eduardo Marinho, filósofo de rua


O artista popular Eduardo Marinho, carioca de 50 anos, tem o blogue Observar e Absorver, sobre suas percepções pelas andanças no mundo. Ele tentou cursar Direito por pressão familiar, mas preferiu viver com os mais pobres e hoje fala contra o sistema e a favor do ser humano (v. palestra para o Projeto AR, 16 minutos).

Ele se considera um desadaptado da sociedade atual, mas uma pessoa que tenta ser feliz através do afeto e da integração aos outros seres humanos. Fala como uma pessoa relativamente equilibrada dentro de sua frustração existencial, mas os entrevistadores o tratam como um extraterrestre, num impressionante choque intercultural. Veja entrevista na TV Campus, da Universidade Federal de Santa Maria (9 minutos) e na TV Floripa (30 minutos).

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Natal no viaduto


Sábado (14-12) em Porto Alegre, passei por esta cena inusitada e... triste. Uma moradora de rua simplesmente fez sua casa no costado de um dos pilares do Viaduto Tiradentes, na Protásio Alves com Goethe.

Quando passei, ela estava fritando uns bifes, mas o surpreendente era que a sua "casa" na rua estava toda enfeitada para o Natal. Havia árvore de Natal em cima de uma cômoda com vários pequenos enfeites natalinos, um coelhão de pelúcia todo de Papai Noel. Tudo limpinho e impecável. Duras realidades sul-americanas, nas veias abertas.
Texto e foto de Carlos Badia
Fonte: Facebook

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Entrevista com coordenador de políticas para população de rua

No programa "NBR Entrevista" de sábado 20 de julho, o coordenador do Comitê de Acompanhamento Intersetorial da Política Nacional para a População em Situação de Rua, Carlos Alberto Ricardo Júnior, responde perguntas sobre o assunto. O Comitê está ligado à Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República. Veja uma notícia de junho.

 

sábado, 13 de julho de 2013

"É brasileiro que nem eu": povo da rua em Fortaleza

 

As pessoas que ficam na rua é principalmente porque perderam a conexão com a família e o trabalho e não encontraram novo espaço de acolhida. Mas todas elas seguem sendo seres humanos, com necessidades e potencialidades, e cidadãos com direitos e deveres. A maioria deseja uma vida melhor. Documentário de 21 minutos feito em junho de 2013 por estudantes de jornalismo, em Fortaleza (CE), capital nordestina onde se calcula haver entre 1700 e 3000 pessoas em situação de rua. Elas são atendidas por grupos religiosos, organizações particulares e o projeto federal Centro Pop.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Luís Filipe diz: a arte ajuda a sobreviver


Luís Filipe dos Santos é um jovem como muitos que foram dar nas ruas e, sem emprego nem boas amizades, precisam aprender novas formas de sobrevivência. Perto da droga e longe do amor da família, não é fácil manter-se vivo e com esperança. O aprendizado dos Doze Passos fortaleceu suas atitudes de fé e autocuidado, levando-o talvez a uma excessiva autonomia.

Os traços precisos e os olhos fortes são duas
características gráficas do trabalho de Luís Filipe.
Como ele mesmo diz, a arte é um dos modos em que a energia pode extravasar sentimentos e, substituindo drogas que causam dependência, ajudar a amenizar a angústia e o sofrimento. Quando o talento brota e algumas pessoas doam materiais, essa arte até ajuda a ganhar umas moedas para a sobrevivência.

Na tarde desta segunda-feira, 20 de maio, ele pintava esta grande figura com lápis preto e pó de maquiagem, no pátio do Centro Pop, e mostrava, para quem quisesse ver, alguns de seus desenhos a lápis de cor sobre papel. O resultado seria vendido nas próximas horas, em alguma rua ou praça da cidade.
Fotos: F. A. Vidal


sábado, 27 de abril de 2013

Franciscanos atendem população de rua

Em janeiro passado, a modelo carioca Juliene Medeiros publicou esta foto e o texto abaixo no Facebook, tomada com seu celular, no bairro Campo Grande, Rio de Janeiro. Até hoje, estava com 4900 compartilhamentos.


Agora pouco eu tava voltando do medico e vi uma cena que nunca imaginei ver rs,
vários franciscanos, freiras ou monge não sei, limpando, cuidando dos machucados de mendigos, fazendo a barba deles tem noção do que é isso? '-' meu Deus é muito difícil você encontrar pessoas hoje em dia que fariam isso. Nem eu mesma sei se faria :|, mas não aguentei em ver isso pedi minha mãe pra voltar comigo e pedi para tirar algumas fotos deles fazendo isso. To ate agora mexida com isso, muitas pessoas hoje em dia não iriam fazer isso e umas simples pessoas fazendo isso com um enorme amor e carinho por vontade própria e com um lindo sorriso, nossa muito lindo. Que Deus abençoe a vida deles porque eles merecem. ISSO SIM É UMA COISA QUE MERECE COMPARTILHAMENTOS E CURTIS

sábado, 20 de abril de 2013

Psiquiatra aponta vazios científicos em projeto sobre drogas

L. F. Tófoli
Luís Fernando Tófoli, professor de Psiquiatria na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), critica a falta de base científica do projeto de lei sobre drogas do deputado Osmar Terra (PMDB-RS). Abaixo se transcreve o artigo do pesquisador, com suas 4 referências entre colchetes (veja o texto com os comentários dos internautas, no site da revista Carta Capital). Figuras inseridas pelo editor desta postagem.

O projeto aumenta a repressão ao tráfico, distingue a internação "compulsória" (por ordem judicial) e a "involuntária" (por ordem médica) e inclui as fazendas terapêuticas (por internação voluntária) como medidas a serem aplicadas em caso de dependência química. 

Veja também artigo do deputado Terra PL ajuda famílias a enfrentar o flagelo das drogas e o Parecer do CFP sobre o projeto citado.

Em suas manifestações públicas em relação ao projeto de drogas que redigiu, o deputado Osmar Terra (PMDB-RS), médico e ex-secretário de Saúde de seu estado, tem sido profícuo ao citar dados. Em uma declaração ao jornal O Globo, ao criticar o viés “ideológico” daqueles que objetam contra seu projeto, não hesitou em dizer que “cada parágrafo” dele seria “baseado em evidências científicas”.

Dados científicos são frequentemente incompletos, sujeitos a contingências metodológicas e difíceis de interpretar. A própria construção do que é uma evidência científica e a decisão de nortear políticas a partir delas são também opções ideológicas, embora os médicos não se deem conta disso. No século XXI já parece ser bastante claro que não existe Ciência absolutamente neutra, e que é na análise de estudos que apontam posições e resultados contraditórios que poderemos nos aproximar da realidade. Esse é, por excelência, o caminho possível no campo das políticas públicas sobre drogas.

O PL 7663/2010 de Osmar Terra – transformado no substitutivo do deputado Givaldo Carimbão (PSB-AL) – está longe de ser uma peça legislativa baseada em dados científicos inquebrantáveis.

Para começar, o projeto parte da concepção de que a dependência química é uma doença cerebral que leva a alterações permanentes causadas pelas drogas, uma doença para a qual não existe cura e para qual o único tratamento possível é a abstinência. Essa premissa é desafiada na literatura científica recente, e certamente não pode ser tomada como uma verdade para todos os casos. Como explicar, por exemplo, os vícios que não envolvem substância psicoativa, como o jogo patológico? Ainda que essa concepção da dependência fosse assumida como correta, caberia examinar se o projeto de lei, a fim de amenizar o terrível sofrimento social causado pelas drogas, está suficientemente assentado em evidências científicas.

Vejamos aqui algumas que foram ignoradas no processo de elaboração do PL.

Em SP, a internação de dependentes fica travada pela imensa procura (v. notícia)

  • Em primeiro lugar, o projeto faz uma grande trapalhada ao emaranhar dependência química com uso de drogas. A literatura mostra claramente que o contingente de dependentes das drogas ilegais mais comuns no Brasil é algumas vezes menor do que o número total de usuários. Políticas e eventuais medidas para estes grupos devem ser distintas. Ao misturar os conceitos, o projeto dá a chance, por exemplo, de que um usuário leve de maconha seja submetido a uma versão contemporânea da internação forçada apresentada no filme Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky.
  • Outra confusão feita pelo PL está na proposta de uma classificação das drogas por seu potencial de gerar dependência. A ideia é baseada em uma classificação feita pelo Reino Unido e não é delineada no texto legislativo, ficando para ser decidida posteriormente. Atualmente há críticas à própria classificação britânica, e um famoso estudo publicado na respeitável revista científica Lancet colocou em cheque a própria noção de que seriam as drogas ilegais as mais daninhas para o indivíduo e a sociedade [v. referência Álcool é mais nocivo que LSD].
  • Não bastasse isso, o projeto ainda aumenta a pena para tráfico de drogas, sem distinguir usuários de traficantes de forma objetiva. Considerando o desproporcional aumento de apenados por tráfico no Brasil dos últimos anos – muitos deles com um perfil muito mais próximo de usuários do que de traficantes perigosos – tomar uma medida como essa sem determinar critérios objetivos de distinção é bastante temerário, ainda mais se considerarmos que o próprio endurecimento legislativo pode ser confrontado. Por exemplo, na Europa, o consumo por adolescentes é menor em países onde há menores restrições para o porte e uso pessoal de drogas. 
A resposta que o deputado Osmar Terra tem dado – que é o de que os “aviõezinhos” iriam carregar somente a quantidade permitida para porte e que “ninguém mais vai ser preso” – não é condizente com os dados do Observatório Europeu de Drogas e Dependência [v. referência 2], que mostra que em países que se tornaram menos rigorosos com o uso e porte de drogas, as prisões por tráfico não diminuíram.
O autor do projeto já disse que as ações de consultório na rua – proposto como uma das alternativas às duas únicas formas de tratamento presentes no PL, a internação compulsória e o acolhimento voluntário em comunidades terapêuticas – não têm evidência de efetividade.

Pode ser que o enfoque das provas científicas feito pelo deputado revele também um viés ideológico, já que o mais respeitável repositório de Medicina baseada em evidências, a Biblioteca Cochrane, indica que não há provas suficientes [v. referência 3] para apoiar o modelo das comunidades terapêuticas no tratamento da dependência química. Além disso, segundo afirma Gilberto Gerra, do Escritório das Nações Unidas para o Crime e Drogas [v. referência 4], também não há evidências que justifiquem o uso de internações forçadas a não ser em situações críticas de risco de vida e quando outras tentativas não tiverem dado certo – o que, aliás, já determina a atual lei brasileira que dispõe sobre os tipos de internação psiquiátrica.

Há muitos outros pontos problemáticos – como o financiamento de entidades religiosas, o cadastro de usuários de drogas, as formas estranhas de regulação de um sistema de tratamento paralelo ao Sistema Único de Saúde, só para citar alguns. Num projeto tão questionado – rejeitado ou fortemente criticado por notas técnicas do Governo e por ONGs, por pareceres de entidades como a Fundação Oswaldo Cruz, o Instituto dos Advogados Brasileiros e o Conselho Federal de Psicologia, e até pela opinião de políticos de posições opostas na arena eleitoral como o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – a presença de evidências científicas que contradigam seus parágrafos deve ser mais um elemento para, no mínimo, refrear o regime urgente em que o projeto tramita e, no limite, sepultá-lo em definitivo na busca de respostas mais consensuais.

Mas, no Brasil, onde “política baseada em evidências” se confunde com “evidências baseadas em política” e a mídia – com honrosas exceções – ajuda mais a embaralhar e estigmatizar a questão do que estimular o debate qualificado (v. artigo A Imprensa Entorpecida, por L. F. Tófoli), é bem possível que as evidências sejam soterradas pela urgência política vinculada ao atual projeto em tramitação. Aguardemos para ver o que os legisladores brasileiros têm a responder diante deste projeto que representa um conjunto de retrocessos míopes à pesquisa científica e às reais e sérias demandas de cuidados que a questão do uso problemático de substâncias impõe a este país.

Em MG, usuário menor poderá ser internado por ordem judicial (v. notícia)